Disse Deus: "Haja luz"; e houve luz. Estas palavras do Gênese, 1,3 podem perfeitamente funcionar como pórtico para mergulhar nas telas de Velf Weingrill, cuja principal característica é justamente o domínio da luz, seja em plantações de flores ou em naturezas-mortas. Nascida em 17 de Janeiro de 1948, em São Paulo, SP, a artista, cujo nome completo é Vera Lucia Ferrari Weingrill demonstra, em suas telas, ser uma grande admiradora da natureza. Também conta que, desde criança, gostava da aprender artesanato, chegando, finalmente, à pintura. Após passar sete anos trabalhando com porcelena e, depois com seda, chegou a vez do óleo, arte que venceu definitivamente uma outra atividade à qual ela dedicava parte do seu tempo: estudar piano. Flores, paisagens. Naturezas-mortas, mulheres e crianças são alguns dos temas tratados pelo pincel de Weingrill, que também já se dedicou a retratar, no seu estilo bem pessoal, bailarinas e palhaços. Na sua arte, porém, temática é secundária perante o trabalho aprimorado com as cores. Numa carreira que inclui mais de 200 exposições em diversos países, como Bolívia, Chile, Peru, México, Mônaco, Portugal, Espanha, Itália, EUA, Finlândia, Grécia e França entre outros, com diversos prêmios obtidos no Brasil e no exterior. Velf Weingrill mantém acervo no museo de arqueologia de La Paz, Bolívia, na Facultad de Bellas Artes de Sevilla e também na Casa do Brasil em Madrid e em coleções particulares de diversos países. As naturezas-mortas de Velf são de grande apuro técnico e domínio da paleta. É o que ocorre principalmente em Maçã, fruta mostrada com todas as suas nuances de vermelho, um pouco de laranja e marcas pretas, num jogo cromático de intenso realismo, mas também de inegável expressividade. Os campos de flores da artista são um universo à parte, sejam tulipas, hortências, girassóis ou margaridas. As gradações de cor atingidas com as primeiras oscilam entre diversos tons de amareloe vermelho, partindo, na parte inferior de tela de um detalhismo fotográfico e beirando, na metade do quadro, uma espécie muitopeculiar de abstracionismo lírico em que o referente concreto - flor - permanece em segundo plano perante a riqueza do resultado obitido por cores mágicas que se articulam em gradações poéticas. Conta-se que o escritor alemão Goethe (1749 - 1832), antes de morrer, teria dito: "Mais Luz". Se ele tivesse conhecido os quadros de velf Weingrill, seu pedido certamente seria outro, pois as telas da pintora paulista encontram no cromatismo a melhor resposta para as indagações existenciais de todo ser humano. Suas flores e imagens femininas, seja pela luz, pela cor ou pelo lirismo, indicam que a beleza existe e que pode ser encontrada pela arte. Oscar D’Ambrosio, jornalista, é mestre em Artes Visuais pelo instituto de Artes (IA) da UNESP, campus de São Paulo e integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA-Seção Brasil). É autor, entre outros de: Contando a Arte de Peticov (Noovha América) e Os Pincéis de Deus, vida e obra do pintor naïf Waldomiro de Deus (Editora Unsep e Imprensa Oficial do Estado de São Paulo). |